História

 

Por volta de 1848, chamou-se a atenção, nos Estados Unidos, para diversos fenômenos estranhos que consistiam em ruídos, batidas e movimento de objetos sem causa conhecida.
Esses fenômenos aconteciam com freqüência, espontaneamente, com uma intensidade e persistência singulares; mas notou-se também que ocorriam particularmente sob a influência de certas pessoas, às quais se deu o nome de médiuns, que podiam de certa forma provocá-los à vontade, o que permitiu repetir as experiências. Para isso usaram-se sobretudo mesas; não que este objeto seja mais favorável que um outro, mas somente porque ele é móvel, é mais cômodo, e porque é mais fácil e natural sentar-se em volta de uma mesa que de qualquer outro móvel. Obteve-se dessa forma a rotação da mesa, depois movimentos em todos os sentidos, saltos, reversões, flutuações, golpes dados com violência, etc. O fenômeno foi designado, a princípio, com o nome de mesas girantes ou dança das mesas.
Até então, o fenômeno podia explicar-se perfeitamente por uma corrente elétrica ou magnética, ou pela ação de um fluído desconhecido, e esta foi aliás a primeira opinião formada. Mas não se demorou a reconhecer, nesses fenômenos, efeitos inteligentes; assim, o movimento obedecia à vontade; a mesa ia para a direita ou para a esquerda, em direção a uma pessoa designada, ficava sobre um ou dois pés sob comando; batia no chão o número de vezes pedido, batia regularmente, etc. Ficou então evidente que a causa não era puramente física e, a partir do axioma: Se todo efeito tem uma causa, todo efeito inteligente deve ter uma causa inteligente, concluiu-se que a causa desse fenômeno devia ser uma inteligência.
Qual era a natureza dessa inteligência? Era essa a questão. A primeira idéia foi que podia ser um reflexo da inteligência do médium ou dos assistentes, mas a experiência demonstrou logo a impossibilidade disso, porque se obtiveram coisas completamente fora do pensamento e dos conhecimentos das pessoas presentes, e até em contradição com suas idéias, vontade e desejo; ela só podia, então, pertencer a um ser invisível. O meio de certificar-se era bem simples: bastava iniciar uma conversa com essa entidade, o que foi feito por meio de um número convencional de batidas significando sim ou não, ou designando as letras do alfabeto; obtiveram-se, dessa forma; respostas para as diversas questões que se lhe dirigiam. O fenômeno foi designado pelo nome de mesas falantes. Todos os seres que se comunicaram dessa forma, interrogados sobre sua natureza, declararam ser Espíritos e pertencer ao mundo invisível. Como se tratava de efeitos produzidos em um grande número de localidades, pela intervenção de pessoas diferentes, e observados por homens muito sérios e esclarecidos, não era possível que fossem um jogo de ilusão.
Da América esse fenômeno passou para a França e o resto da Europa onde, por alguns anos, as mesas girantes e falantes estiveram na moda e se tornaram o divertimento dos salões; depois, quando as pessoas se cansaram, deixaram-nas de lado, em busca de outra distração.O fenômeno não demorou a apresentar-se sob um novo aspecto que o fez sair do domínio da simples curiosidade. Os limites deste resumo não nos permitem segui-lo em todas as suas fases; assim passamos, sem transição, para o que ele oferece de mais característico, para o que atraiu sobremaneira a atenção das pessoas sérias.
Salientemos, antes, que a realidade do fenômeno encontrou numerosos opositores; alguns, sem levar em conta a preocupação desinteressada e a honradez dos experimentadores, só enxergaram uma fraude, uma hábil sutileza. Os que não admitem nada fora da matéria, que só acreditam no mundo visível, que acham que tudo morre com o corpo, os materialistas, em resumo os que se qualificam de espíritos fortes, repeliram a existência dos Espíritos invisíveis para o campo das fábulas absurdas; tacharam de loucos os que levavam a coisa a sério, e os cumularam de sarcasmos e zombarias. Outros; não podendo negar os fatos, e sob o império de certas idéias, atribuíram esses fenômenos à influência exclusiva do diabo e procuraram, assim, assustar os tímidos. Mas hoje o medo do diabo perdeu singularmente seu prestígio; falaram tanto dele, pintaram-no de tantos modos, que as pessoas se familiarizaram com essa idéia e muitos acharam que era preciso aproveitar a ocasião para ver o que ele é realmente.
Resultou que, à parte de um pequeno número de mulheres timoratas, o anúncio da chegada do verdadeiro diabo tinha algo de picante para aqueles que só o tinham visto em quadros ou no teatro; ele foi para muita gente um poderoso estimulante, de modo que os que quiseram levantar, por esse meio, uma barreira às novas idéias, agiram contra seu próprio objetivo e tornaram-se, sem o querer, agentes propagadores tanto mais eficazes quanto mais forte gritavam. Os outros críticos não tiveram sucesso maior porque, aos fatos constatados, com raciocínios categóricos, só puderam opor denegações. Leiam o que eles publicaram e em toda parte encontrarão a prova da ignorância e a falta de observação séria dos fatos; em nenhum lugar, uma demonstração peremptória de sua impossibilidade. Toda a argumentação deles resume-se assim: "Eu não acredito, então não existe; todos os que acreditam são loucos; somente nós temos o privilégio da razão e do bom senso." O número dos adeptos feitos pela crítica séria ou burlesca é incalculável, porque em todas elas só se encontram opiniões pessoais, vazias de provas em contrário. Continuemos com nossa exposição.
As comunicações por batidas eram lentas e incompletas; verificou-se que, adaptando um lápis a um objeto móvel (cesto, prancheta ou um outro, sobre os quais se colocavam os dedos), esse objeto começava a movimentar-se e traçava sinais. Mais tarde verificou-se que esses objetos eram tão-somente acessórios que podiam ser dispensados; a experiência demonstrou que o Espírito, que agia sobre um corpo inerte dirigindo-o à vontade, podia agir da mesma forma sobre o braço ou a mão, conduzindo o lápis. Tivemos então médiuns escritores, ou seja, pessoas que escreviam de modo involuntário, sob o impulso dos Espíritos, de que eram instrumentos e intérpretes. A partir daí, as comunicações não tiveram mais limites, e a troca de pensamentos pode-se fazer com tanta rapidez e desenvolvimento quanto entre os vivos. Era um vasto campo aberto à exploração, a descoberta de um mundo novo: o mundo dos invisíveis, assim como o microscópio tinha desvendado o mundo dos infinitamente pequenos.
Que são esses Espíritos? Que papel desempenham no Universo? Com que propósito se comunicam com os mortais? Tais eram as primeiras questões que se impunham resolver. Soube-se logo, por eles mesmos, que não se trata de seres à parte na criação, mas das próprias almas daqueles que viveram na Terra ou em outros mundos; que essas almas, depois de terem despojado de seu envoltório corporal, povoam e percorrem o espaço. Não houve mais possibilidade de dúvidas quando se reconheceram, entre eles, parentes e amigos, com quem se pôde conversar; quando estes vieram dar prova de sua existência, demonstrar que a morte para eles foi só do corpo, que sua alma ou Espírito continua a viver que estão ali junto de nós, vendo-nos e observando-nos como quando eram vivos, cercando de solicitude aqueles que amaram, e cuja lembrança é para eles uma doce satisfação.
Geralmente fazemos dos Espíritos uma idéia completamente falsa; eles não são, como muitos imaginam, seres abstratos, vagos e indefinidos, nem algo como um clarão ou uma centelha; são, ao contrário, seres muito reais, com sua individualidade e uma forma determinada.

Podemos ter uma idéia aproximada pela explicação seguinte.

Há no homem três coisas essenciais: l°) a Alma ou Espírito, princípio inteligente em que residem o pensamento, a vontade e o senso moral; 2°) o corpo, envoltório material, pesado e grosseiro, que coloca o Espírito em relação com o mundo exterior; 3°) o perispírito, envoltório fluídico, leve, que serve de laço e intermediário entre o Espírito e o corpo. Quando o envoltório exterior está gasto e não pode mais funcionar, ele cai e o Espírito despoja-se dele como o fruto de sua casca, a árvore de sua crosta; em resumo, como se abandona uma roupa velha que não serve mais; é a isso que chamamos morte.
A morte, portanto, não passa da destruição do grosseiro envoltório do Espírito - só o corpo morre, o Espírito não. Durante a vida o Espírito está de certa forma limitado pelos laços da matéria a que está unido e que, muitas vezes, paralisa suas faculdades; a morte do corpo desembaraça-o de seus laços; ele se liberta e recupera sua liberdade, como a borboleta saindo de sua crisálida. Mas ele só abandona o corpo material; conserva o perispírito, que constitui para ele uma espécie de corpo etéreo, vaporoso, imponderável para nós e de forma humana, que parece ser a forma-tipo. Em seu estado normal, o perispírito é invisível, mas o Espírito pode fazer com que sofra certas modificações que o tornam momentaneamente acessíveis à vista e até ao contato, como acontece com o vapor condensado; é assim que eles podem às vezes mostrar-se a nós em aparições. É com a ajuda do perispírito que o Espírito age sobre a matéria inerte e produz os diversos fenômenos de ruído, de movimento, de escrita, etc.
As batidas e movimentos são, para os Espíritos, meios de atestar sua presença e chamar para si a atenção, exatamente como quando uma pessoa bate para avisar que há alguém. Há os que não se limitam a ruídos moderados, mas que chegam a fazer um alarido como de louça quebrando, de portas que se abrem e se fecham, ou de móveis derrubados.
Através de batidas e movimentos combinados eles puderam exprimir seus pensamentos, mas a escrita lhes oferece o meio completo, mais rápido e mais cômodo; é o que eles preferem. Pela mesma razão que podem formar caracteres, podem guiar a mão para traçar desenhos, escrever música, executar uma peça em um instrumento, em resumo, na falta do próprio corpo, que não têm mais, usam o do médium para manifestar-se aos homens de uma maneira sensível.
Os Espíritos podem ainda manifestar-se de várias maneiras, entre outras pela visão e pela audição. Certas pessoas, ditas médiuns auditivos, têm a faculdade de ouvi-los e podem, assim, conversar com eles; outras os vêem - são os médiuns videntes. Os Espíritos que se manifestam à visão apresentam-se geralmente sob forma análoga à que tinham quando vivos, porém vaporosa; outras vezes, essa forma tem toda a aparência de um ser vivo, a ponto de iludir completamente, tanto que algumas vezes foram tomados por criaturas de carne e osso, com as quais se pôde conversar e trocar apertos de mãos, sem se suspeitar que se tratava de Espíritos, a não ser em razão de seu desaparecimento súbito.
A visão permanente e geral dos Espíritos é bem rara, mas as aparições individuais são bastante freqüentes, sobretudo no momento da morte; o Espírito liberto parece ter pressa de rever seus parentes e amigos, como para avisá-los que acaba de deixar a terra e dizer-lhes que continua vivendo.
Que cada um junte suas lembranças, e veremos quantos fatos autênticos desse tipo, de que não nos apercebíamos, aconteceram não só à noite, durante o sono, mas em pleno dia e no estado mais completo de vigília. Outrora víamos esses fatos como sobrenaturais e maravilhosos, e os atribuíamos à magia e à feitiçaria; hoje, os incrédulos os atribuem à imaginação; mas desde que a ciência espírita nos deu a chave, sabemos como se produzem e que não saem da ordem dos fenômenos naturais.
Acreditamos ainda que os Espíritos, só pelo fato de serem Espíritos, devem ser donos da soberana ciência e da soberana sabedoria: é um erro que a experiência não tardou a demonstrar. Entre as comunicações feitas pelos Espíritos, algumas são sublimes de profundidade, eloqüência, sabedoria, moral, e só respiram bondade e benevolência; mas, ao lado dessas, há aquelas muito vulgares, fúteis, triviais, grosseiras até, pelas quais o Espírito revela os mais perversos instintos. Fica então evidente que elas não podem emanar da mesma fonte e que, se há bons Espíritos, há, também, maus. Os Espíritos, não sendo mais que as almas dos homens, naturalmente não podem tornar-se perfeitos ao abandonar seu corpo; até que tenham progredido, conservam as imperfeições da vida corpórea; é por isso que os vemos em todos os graus de bondade e maldade, de saber e ignorância.
Os Espíritos geralmente se comunicam com prazer, constituindo para eles uma satisfação ver que não foram esquecidos; descrevem de boa vontade suas impressões ao deixar a Terra, sua nova situação, a natureza de suas alegrias e sofrimentos no mundo em que se encontram. Uns são muito felizes, outros infelizes, alguns até sofrem horríveis tormentos, segundo a maneira como viveram e o emprego bom ou mau, útil ou inútil que fizeram da vida. Observando-os em todas as fases de sua nova existência, de acordo com a posição que ocuparam na terra, seu tipo de morte, seu caráter e seus hábitos como homens, chegamos a um conhecimento senão completo, pelo menos bastante preciso do mundo invisível, para termos a explicação do nosso estado futuro e pressentir o destino feliz ou infeliz que lá nos espera.
As instruções dadas pelos Espíritos de categoria elevada sobre todos os assuntos que interessam à humanidade, as respostas que eles deram às questões que lhes foram propostas, foram recolhidas e coordenadas com cuidado, constituindo toda uma ciência, toda uma doutrina moral e filosófica, sob o nome de Espiritismo. O Espiritismo é, pois, a doutrina fundada na existência, nas manifestações e no ensinamento dos Espíritos. Esta doutrina acha-se exposta de modo completo em O Livro dos Espíritos, quanto à sua parte filosófica; em O Livro dos Médiuns, quanto à parte prática e experimental; e em O Evangelho segundo o Espiritismo, quanto à parte moral. Podemos avaliar, pela análise que faremos abaixo dessas obras, a variedade, a extensão e a importância dos assuntos que a doutrina envolve.
Como vimos, o Espiritismo teve seu ponto de partida no fenômeno vulgar das mesas girantes; mas como esses fatos falam mais aos olhos que à inteligência, despertam mais curiosidade que sentimento, satisfeita a curiosidade, fica-se menos interessado, na medida de nossa falta de compreensão. A situação mudou quando a teoria veio explicar a causa; sobretudo quando se viu que dessas mesas girantes com as quais as pessoas se divertiram algum tempo, saia toda uma doutrina moral que fala à alma, dissipando as angústias da dúvida, satisfazendo a todas as aspirações deixadas no vácuo por um ensinamento incompleto sobre o futuro da humanidade, as pessoas sérias acolheram a nova doutrina como um benefício e, a partir de então, longe de declinar, ela cresceu com incrível rapidez. No espaço de alguns anos conseguiu adesões em todos os países do mundo, sobretudo entre as pessoas esclarecidas, inúmeros partidários que aumentam todos os dias em uma proporção extraordinária, de tal forma que hoje pode-se dizer que o Espiritismo conquistou direito de cidadania. Ele está assentado em bases que desafiam os esforços de seus adversários mais ou menos interessados em combatê-lo e a prova é que os ataques e críticas não retardaram sua marcha um só instante - este é um fato obtido da experiência, cujo motivo os oponentes nunca puderam explicar; os espíritas dizem simplesmente que, se ele se propaga apesar da crítica, é que o acham bom e que se prefere seu modo de raciocinar ao de seus contestadores.
O Espiritismo, entretanto, não é uma descoberta moderna; os fatos e princípios sobre os quais ele repousa perdem-se na noite dos tempos, pois encontramos seus vestígios nas crenças de todos os povos, em todas as religiões, na maior parte dos escritores sagrados e profanos; só que os fatos, não completamente observados, foram muitas vezes interpretados segundo as idéias supersticiosas da ignorância, e não foram deduzidas todas as suas conseqüências.
Com efeito, o Espiritismo está fundado sobre a existência dos Espíritos, mas os Espíritos não sendo mais que as almas dos homens, desde que há homens, há Espíritos; o Espiritismo nem os descobriu, nem os inventou. Se as almas ou Espíritos podem manifestar-se aos vivos, é que isso é natural e, portanto, eles devem tê-lo feito todo o tempo; assim, em qualquer época e qualquer lugar encontramos a prova dessas manifestações abundantes, sobretudo nos relatos bíblicos.
O que é moderno é a explicação lógica dos fatos, o conhecimento mais completo da natureza dos Espíritos, de seu papel e seu modo de ação, a revelação de nosso estado futuro, enfim, sua constituição em corpo de ciência e de doutrina e suas diversas aplicações. Os Antigos conheciam o princípio, os Modernos conhecem os detalhes. Na Antigüidade, o estudo desses fenômenos constituía o privilégio de certas castas que só os revelavam aos iniciados em seus mistérios; na Idade Média, os que se ocupavam ostensivamente com isso eram tidos como feiticeiros e, por isso, queimados; mas hoje não há mistérios para ninguém, não se queima mais ninguém; tudo se passa claramente e todo mundo pode esclarecer-se e praticá-lo, pois há médiuns em toda parte.
A própria doutrina que os espíritos ensinam hoje não tem nada de novo; é encontrada em fragmentos na maior parte dos filósofos da Índia, do Egito e da Grécia, e inteira no ensinamento de Cristo. Então o que vem fazer o Espiritismo? Vem confirmar novos testemunhos, demonstrar, por fatos, verdades desconhecidas ou mal compreendidas, restabelecer em seu verdadeiro sentido as que foram mal interpretadas.
O Espiritismo não ensina nada de novo, é verdade; mas não é nada provar de modo patente, irrecusável, a existência da alma, sua sobrevivência ao corpo, sua individualidade depois da morte, sua imortalidade, as penas e recompensas futuras? Quanta gente acredita nessas coisas, mas acredita com um vago pensamento dissimulado de incerteza, e diz em seu foro íntimo: "E se não fosse assim?" Quantos não foram levados à incredulidade porque lhes apresentaram o futuro sob um aspecto que sua razão não podia admitir? Então, não é nada que o crente vacilante possa dizer: "Agora tenho certeza!", que o cego reveja a luz? Pelos fatos e por sua lógica, o Espiritismo vem dissipar a ansiedade da dúvida e trazer de volta à fé aquele que dela se afastou; revelando-nos a existência do mundo invisível que nos rodeia, e no meio do qual vivemos sem suspeitar, ele nos dá a conhecer, pelo exemplo dos que viveram, as condições de nossa felicidade ou infelicidade futura; ele nos explica a causa de nossos sofrimentos aqui na terra e o meio de amenizá-los. Sua propagação terá por efeito inevitável a destruição das doutrinas materialistas, que não podem resistir à evidência. O homem, convencido da grandeza e da importância de sua existência futura, que é eterna, compara-a com a incerteza da vida terrestre, que é tão curta, e eleva-se, pelo pensamento, acima das mesquinhas considerações humanas; conhecendo a causa e o propósito de suas misérias, ele as suporta com paciência e resignação, porque sabe que elas são um meio de chegar a um estado melhor. O exemplo daqueles que vêm do além-túmulo descrever suas alegrias e dores, provando a realidade da vida futura, prova ao mesmo tempo que a justiça de Deus não deixa nenhum vício sem punição e nenhuma virtude sem recompensa. Acrescentemos, finalmente, que as comunicações com os seres queridos que perdemos acarretam uma doce consolação, provando não só que eles existem, mas que estamos menos separados deles que se estivessem vivos num país strangeiro.

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Allan kardec

 

Seu verdadeiro nome éra Hippolyte Léon Denizard Rivail. Nascido em Lyon, em 1804, lá mesmo fez os seus primeiros estudos, seguindo depois para Yverdon, na Suiça, a fim de estudar no instituto do célebre professor Pestallozzi. O instituto era um dos mais famosos e respeitados em toda a Europa. Desde cedo ele tornou-se um dos mais eminentes discípulos de Pestallozzi, um colaborador inteligente e dedicado, que exerceria, mais tarde, grande influência sobre o ensino da França.
Declaram que Rivail era dotado de notável inteligência e que desde os 14 anos ensinava, aos colegas menos adiantados, tudo o que aprendia.
Concluidos os seus estudos em Yverdon, mudou-se para Paris, onde se tornou conceituado mestre não só em letras como em ciências, distiguindo-se como notável pedagogo e divulgador do método Pestallozziano. Tornou-se membro de várias sociedades científicas.
Como pedagogo, Rivail publicou numerosos livros didáticos. Apresenta na mesma época, planos e métodos referentes à reforma do ensino françês. Entre as obras publicadas, destacam-se: Curso Teórico e Prático de Aritmética, Gramática Francesa Clássica, Catecismo Gramatical da Língua Francesa, além de programas de cursos de física, química, astronomia e fisiologia.
Ao término desta longa atividade e experiência pedagógica, o professor Rivail estava preparado para outra tarefa, a codificação do Espiritismo.
Começa então a sua missão, quando em 1854 ouviu falar pela primeira vez nas mesas girantes, popular divertimento da alta sociedade francesa.
A princípio revelou-se cético, apesar de seus estudos sobre magnetismo.
Dizia: “Só acreditarei se me provarem que as mesas tem um cérebro para pensar. Enquanto isso permita-me considerar esse fato como uma história fabulosa.”
Assistindo os fenômenos, verificou que precisava investigar e descobrir as causas que davam origem a eles.
Através das médiuns Baudin, viu a escrita por intermédio da cesta. Por esse processo eram dadas respostas, com exatidão, às perguntas formuladas aos Espíritos. Não havia dúvida: estava diante de um fato novo, que merecia estudo. Passou, então, a fazer observações através do método experimental, pois havia percebido que os fenômenos eram produzidos pelos Espíritos dos que já haviam vivido na Terra.
E assim, juntando as informações prestadas por essas entidades comunicantes, escreveu “O Livro dos Espíritos´, obra básica da Doutrina dos Espíritos.
Essa monumental obra não foi escrita por um filósofo ou ditada por um Espírito: ela é o resultado das revelações de muitos Espíritos, todas concordantes, vindas por diferentes médiuns, em lugares diversos.
Para diferenciar as obras escritas por ele mesmo, das outras obras ditadas por espíritos através de médiuns e por ele compiladas, o professor Rivail passou a usar o pseudônimo de “Allan Kardec”.
Kardec analisava as comunicações e respostas do espíritos, comparava, discutia e só as aceitava depois de verificar que se achavam isentas de quaisquer dúvidas.
Fé raciocinada
A fé sem raciocínio não passa de uma crendice ou mesmo de uma superstição. Antes de aceitarmos alguma coisa como verdade, devemos analisá-la bem. "Fé inabalável é aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade". (Allan Kardec)
Para podermos crer ou não no Espiritismo temos antes que conhece-lo.
As instruções dadas pelos Espíritos de ordem elevada sobre todos os assuntos que interessam à humanidade e as respostas que deram às perguntas que lhes foram formuladas foram recolhidas e coordenadas cuidadosamente e constituem toda uma ciência, toda uma doutrina moral e filosófica com o nome Espiritismo.
Esta doutrina acha-se exposta de maneira completa no Livro dos Espíritos, em seu aspecto filosófico, no Livro dos Médiuns, em sua parte prática e experimental, e no Evangelho Segundo o Espiritismo, em seu aspecto moral”.

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Princípios

 

São considerados princípios básicos da Doutrina Espírita: a crença em Deus como princípio criativo; a existência do Espírito e sua sobrevivência após a morte; a reencarnação; a lei de causa e efeito; a influência do mundo invisível sobre o visível; a comunicação entre esses dois mundos e a evolução moral e intelectual progressivas.

Deus como princípio criativo.

É o único princípio não criado. Sempre existiu. Ele está além de nossa inteligência. É impossível para nós defini-lo.
Para crer em Deus é suficiente lançar os olhos às obras da criação.
O unirverso existe, portanto ele tem uma causa.
As leis da Física demonstram que todo efeito tem uma causa e nunca, determinado efeito poderá ser anterior a causa. No caso da Criação, pode-se concluir que ela é consequência da ação de um princípio lógico que se encadeia de forma inteligente. Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente.
O homem, observando o mundo que o cerca, pode deduzir através da razão, que aquilo que o criou deve ser inteligente e superior a tudo o que existe. A essa causa primária denominou-se “Deus”. Podemos reconhecer Deus observando e estudando suas obras.

A existência do espírito e sua sobrevivência após a morte.

A imortalidade da alma ou espírito. O espírito é o princípio inteligente do universo, criado por Deus, para evoluir e realizar-se individualmente pelos seus próprios esforços. Como espíritos já existíamos antes do nascimento e continuaremos a existir depois da morte do corpo.

A reencarnação.

A reencarnação. Criado simples e sem nenhum conhecimento, o espírito é quem decide e cria o seu próprio destino. Para isso, ele é dotado de livre-arbítrio, ou seja, capacidade de escolher entre o bem e o mal. Tem a possibilidade de se desenvolver, evoluir, aperfeiçoar-se, de tornar-se cada vez melhor, mais perfeito, como um aluno na escola, passando de uma série para outra, através dos diversos cursos. Essa evolução requer aprendizado, e o espírito só pode alcançá-la encarnado no mundo e reeencarnando, quantas vezes necessárias, para adquirir mais conhecimentos, através das múltiplas experiências de vida. O progresso adquirido pelo espírito não é somente intelectual, mas, sobretudo, o progresso moral.
Não nos lembramos das existências passadas e nisso também se manifesta a sabedoria de Deus. Se lembrássemos do mal que fizemos ou dos sofrimentos que passamos, dos inimigos que nos prejudicaram ou daqueles a quem prejudicamos, não teríamos condições de viver entre eles atualmente. Pois, muitas vezes, os inimigos do passado hoje são nossos filhos, nossos irmãos, nossos pais, nossos amigos que, presentemente, se encontram junto de nós para a reconciliação. A reencarnação, desta forma, é a oportunidade de devotarmos nossos esforços pelo bem dos outros, apressando nossa evolução espiritual. Pelo mecanismo da reencarnação vemos que Deus não castiga. Somos nós os causadores dos próprios sofrimentos, pela lei de "ação e reação".
Todavia, nem todas as encarnações se verificam na terra. Existe mundos superiores e inferiores ao nosso. Quando evoluirmos muito, poderemos renascer num planeta de ordem elevada. O universo é infinito e "na casa de meu Pai há muitas moradas", já dizia Jesus.
A lei de causa e efeito
Todas as nossas ações são livres escolhas nossas mas, elas estão sujeitas a uma lei natural de justiça chamada de ”causa e efeito” ou seja, para cada ação temos uma reação contrária de igual intensidade.
Livre é a semeadura das atitudes, porém, obrigatória é a colheita de suas consequências.
Obras más,de encarnações passadas, provocam colheitas desagradáveis na presente existência. Do mesmo modo, se o Bem for o objeto de preocupação, o futuro guardará paz, satisfação e felicidade.

A comunicação entre o mundo material e espiritual.

Comunicabilidade dos espíritos. Os espíritos são seres humanos desencarnados e continuam sendo como eram quando encarnados: bons ou maus, sérios ou brincalhões, trabalhadores ou preguiçosos, cultos ou medíocres, verdadeiros ou mentirosos. Eles estão por toda parte. Não estão ociosos. Pelo contrário, eles têm as suas ocupações. Através dos denominados médiuns, o espírito pode comunicar-se conosco, se puder e se quiser.
A comunicação se dá de conformidade com o tipo de mediunidade, sendo as mais conhecidas: pela fala (psicofonia), pela escrita (psicografia), pela visão (vidência) e a intuição, da qual todos guardamos experiências pessoais.

A evolução moral e intelectual progressiva dos espíritos.

O espírito não para nunca de evoluir. Sua evolução acontece tanto no plano material quanto no espiritual. Na erraticidade ele adquire conhecimentos especiais que não poderia adquirir na Terra. Suas idéias então se modificam. O estado corpóreo e o estado espiritual são para ele as fontes de duas formas de progresso que se desenvolvem solidárias. É por isso que ele passa alternativamente por esses dois modos de existência.

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Tríplice Aspecto

 

Ciência.

O Espiritismo tem por fim demonstrar e estudar a manifestação dos Espíritos, suas faculdades, sua situação feliz ou infeliz, seu futuro; em suma, o conhecimento do Mundo Espiritual.
O Espiritismo tem um aspecto científico porque estuda, à luz da razão e usando critérios científicos, com metodologia específica, os fenômenos mediúnicos, ou melhor, os fatos que colocam os homens em contato com os espíritos, ocorrências estas que nada têm de sobrenatural, porque estão dentro do contexto dos fatos naturais, nada apresentando de milagroso nem de superstições do povo crédulo e ignorante.
Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente da mesma maneira que as ciências positivas, isto é, aplica o método experimental. Fatos de ordem nova se apresentam, que não podem ser explicados pelas leis, conhecidas; ele os observa, compara, analisa e, partindo dos efeitos às causas, chega à lei que os rege, depois deduz as conseqüências e busca as aplicações úteis. O Espiritismo não estabeleceu nenhuma teoria preconcebida; assim, não se apresentam como hipótese nem a existência e a intervenção dos Espíritos, nem o perispírito, nem a reencarnação, nem qualquer dos princípios da doutrina; conclui-se pela existência dos Espíritos porque essa existência resultou como evidência da observação dos fatos; e assim os demais princípios. Não foram dos fatos que vieram posteriormente confirmar a teoria, mas foi a teoria que veio subsequentemente explicar e resumir os fatos. Rigorosamente exato, portanto, dizer que o Espiritismo é uma ciência da observação e não o produto da imaginação. As ciências não fizeram progressos sérios senão depois que os seus estudos se basearam no método experimental; mas, acreditava-se que esse método não poderia ser aplicado senão à matéria ao passo que o é igualmente às coisas metafísicas". (Allan Kardec)

Filosofia.

A Filosofia Espírita é a interpretação dos fenômenos verificados e estudados pela Ciência Espírita. Esses fenômenos revelam ao homem a estrutura do Universo, que é a seguinte, como vemos em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec: Deus, Espírito e Matéria. Uma vez constatada essa realidade, e descoberto o mecanismo pelo qual o Espírito se manifesta através da matéria, cessa o trabalho da ciência, para começar a da filosofia”. (Allan Kardec)
O caráter filosófico do Espiritismo está, portanto, no estudo que faz do Homem, sobretudo Espírito, de seus problemas, de sua origem, de sua destinação. Esse estudo leva ao conhecimento do mecanismo das relações dos Homens, que vivem na Terra, com aqueles que já se despediram dela, tamporariamente, pela morte, estabelecendo as bases desse permanente relacionamento, e demonstra a existência, inquestionável, de algo que tudo ria e tudo comanda, inteligentemente - Deus. (Pedro Franco)
O Espiritismo tem um aspecto filosófico porque, a partir dos fenômenos, dá uma interpretação da vida, isto é, responde àquelas perguntas que apresentamos (...) sobre o porquê da vida. De onde você veio e para onde você vai. A razão das desigualdades que obervamos entre as criaturas. Trata-se de uma filosofia espiritualista porque admite, repito, com base nos fatos mediúnicos e anímicos, a existência de um princípio espiritual no Universo, além do princípio material. Equivale dizer que o Espiritismo vê no ser humano, não apenas o corpo material, de carne e osso, de vísceras e sangue, de nervos e hormônios, mas também aquilo a que as religiões, há séculos, deram o nome de alma. (Celso Martins)

Religião.

Do ponto de vista religioso o Espiritismo tem por base as verdades fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma, a imortalidade, as penas e as recompensas futuras, sendo, porém, independente de qualquer culto em particular. Seu objetivo é provar àqueles que negam, ou que duvidam, que a alma existe, que ela sobrevive ao corpo e que sofre, após a morte, as conseqüências do bem e do mal que praticar durante a vida corpórea: o objetivo de todas as religiões”.
No discurso proferido na Sociedade Espírita de Paris, em 1º de novembro de 1868 e publicado na Revista Espírita de dezembro do mesmo ano, Kardec faz as seguintes declarações:
Dissemos que o verdadeiro objetivo das assembléias religiosas deve ser a comunhão de pensamentos; é que, com efeito, a palavra religião quer dizer laço. Uma religião, em sua acepção nata e verdadeira, é um laço que religa os homens numa comunidade de sentimentos, de princípios e de crenças ...
O laço estabelecido por uma religião, seja qual for o seu objetivo, é pois, um laço, um laço essencialmente moral, que liga os corações, que identifica os pensamentos, as aspirações, e não somente o fato de compromissos materiais, que se rompem à vontade, ou da realização de fórmulas que falam mais aos olhos do que ao espírito ...
Se assim é, perguntarão, então o Espiritismo é uma religião? Ora, sim, sem dúvida senhores. No sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos glorificamos por isto, porque é a doutrina que funda os elos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as mesmas leis da natureza.
Porque, então, declaramos que o Espiritismo não é uma religião? Porque não há uma palavra para exprimir idéias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; desperta exclusivamente uma idéia de forma, que o Espiritismo não tem. Se o Espiritismo se dissesse uma religião, o público não veria aí senão uma nova edição, uma variante, se se quiser, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios; não o separaria das idéias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes se levantou a opinião pública.
Como se vê, o Espiritismo não é religião no sentido tradicional da palavra religião.
Concluímos que o Espiritismo não tem culto material exterior nem sacerdócio organizado, como as religiões tradicionais; no entanto, possui um conteúdo moral, ligando os homens entre si e seu criador.

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Livros

 

O Livro dos Espírito.


É uma obra de caracter filosófico, que explica de forma racional o porque da vida.
Escrito em 1857, nele se cumpria a promessa evangélica do Consolador.
Dizer isso equivale a afirmar que o “Livro dos Espíritos” é o código de uma nova fase da evolução humana.
Este não é um livro comum, que se pode ler de um dia para outro e depois esquecer num canto da estante. Devemos lê-lo, relê-lo e meditá-lo constantemente.
Esta obra é a pedra fundamental do Espiritismo, o seu marco inicial.
Devemos salientar que, antes dela, não havia Espiritismo e nem mesmo o nome existia. Falava-se em espiritualismo e Neo-espiritualismo, de maneira vaga e nebulosa. Os fatos espíritas, que sempre existiram eram interpretados das mais diversas maneiras. Mas, depois que Allan Kardec lançou este livro, contendo os princípios da Doutrina Espírita, uma nova luz brilhou nos horizontes mentais do mundo.
A maneira como esse livro foi escrito era também inteiramente nova. Allan Kardec fizera perguntas que eram respondidas pelos Espíritos por intermédio de duas médiuns, Carolina Baudin e Julie Baudin. Elas colocavam as mãos nas bordas de uma cesta aonde estava preso um lápis e este se movimentava sobre uma lousa. Assim os espíritos iam respondendo às perguntas de Kardec. Pelo mesmo processo o livro foi inteiramente revisado mas então, utilizando mais de 10 médiuns para o concurso da tarefa.
Este livro é, portanto, o resultado de um trabalho coletivo e conjugado entre o Céu e a Terra.
Nele vamos encontrar tópicos referentes à imortalidade da alma, à natureza dos espíritos e de suas relações com os homens, às leis morais, à vida presente, à vida futura e ao porvir da humanidade.
Essa obra divide-se em quatro tópicos: “As causas primárias”, “Mundo espírita ou dos Espíritos”,”As leis morais” e “Esperança e consolação”.

Evangelho Segundo o Espiritismo.

Trata-se da parte moral e religiosa da Doutrina Espírita.
Jesus nos trouxe um código moral e nos ensinou a viver de forma equilibrada e justa. Esse código de lições morais é conhecido como o Evangelho.
Quando o estudamos percebemos que as verdades estão ocultas. Elas foram ditas por parábolas pois as mentes da época estavam endurecidas e pouco poderiam compreender.
Através do Evangelho Segundo o Espiritismo todos nós temos alcance a esse tratado de moral.
Os Espíritos Superiores, através de Allan Kardec, nos mostram um Evangelho de linguagem moderna e de fácil entendimento que nos permite evoluir moralmente e assim melhorar as nossas vidas, tornando nossa existência mais feliz por ser possível compreender muitas coisas que antes não entendíamos.
A introdução e o Capítulo I constituem verdadeiro estudo sobre a natureza, o sentido e a finalidade do Espiritismo. Devem ser lidos atentamente pois formam uma peça de grande valor para a verdadeira compreensão da Doutrina Espírita.

O Livro dos Médiuns.

O livro orienta a conduta prática das pessoas que exercem a função de intermediar o mundo espiritual com o material.
Ensina a forma de se obter contactos proveitosos e edificantes junto à Espiritualidade, desenvolvendo assim a parte prática da doutrina.Por isso é um livro importantíssimo para a Ciência Espírita, um tratado de mediunidade indispensável a todos que se interessam pela boa realização dos trabalhos mediúnicos e pelo desenvolvimento das pesquisas espíritas.
Mostra também aos médiuns os inconvenientes da mediunidade, suas virtudes e os porigos provindos de uma faculdade descontrolada. Enfim, leva o médium a compreender as nuanças dessa tarefa, que afinal pode ser usada de forma a produzir bons ou maus frutos.
A obra demonstra ainda as consequências morais e filosóficas decorrentes das relações entre o invisível e o visível e a importância de se dar de graça o que se recebeu de graça isto é, usar a mediunidade para ajudar o próximo sem pedir nada em troca.

A Gênese.

Esta obra tem por objetivo o estudo de pontos que tem sido interpretados de maneiras divergentes como a criação do mundo, os milagres realizados por Jesus e suas ptrevisões relatadas na Bíblia.
Dois elementos ou forças regem tudo no universo: o elemento espiritual e o material. A ação simultânea desses dois elementos cria fenômenos que permanecem inexplicáveis se se faz abstração de um um dos elementos. Na
criação dos mundos há uma ação recíproca do espírito e da matéria.
Com as novas idéias espíritas, os milagres são explicados como fenômenos naturais, pois Deus prova a sua grandeza pela aplicação das leis naturais e não pela sua suspensão.
O espiritismo não tem mistérios ou teorias secretas. Tudo tem que ser exposto com clareza para que cada pessoa possa julgar com conhecimento de causa.

O Céu e o Inferno.

O livro apresenta uma análise de idéias religiosas da humanidade quanto ao que se pode esperar em termos de justiça divina após a vida física e as compara com uma nova visão tornada possível pelo Espiritismo onde o inferno e as punições eternas são mostrados como criações humanas e incompatíveis com as noções de um Deus de amor, zeloso pelo progresso contínuo e responsável de todas suas criaturas.
Comenta-se idéias comuns sobre o além, o medo da morte, os diferentes céus imaginados por diferentes religiões, os diferentes infernos, anjos e demônios com suas supostas influências na vida presente e no além, as penas e recompensas como vistas pelas religiões e as regras das igrejas quanto à possibilidade, utilidade ou mesmo proibição de se tentar ou praticar comunicações com espíritos.

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Perguntas comuns

 

O que é espírito?

O espírito é o princípio inteligente da Criação. São criados todos da mesma forma, simples e ignorantes, sujeitos à Lei da Evolução. Progridem em tempo que varia conforme as condições e necessidades de cada um, dentro de uma tragetória que vai das sensações à angelitude, passando pelos caminhos do instinto, inteligência e razão.
Através de milhares de reencarnações no plano físico, a evolução do espírito se consolida no campo da sabedoria e da moralidade.

O que é reencarnação?

Reencarnação é o processo pelo qual o espírito, estruturando um corpo físico, retorna, periodicamente, ao sistema material. Esse processo tem como objetivo, ao proporcionar experiência e vivência de novos conhecimentos, auxiliar o espírito reencarnante a evoluir.
Só através da reencarnação se prova a justiça e a bondade de Deus, pois é a unica explicação racional para as desigualdades sociais existentes no mundo.
Como explicar os que nascem com saúde perfeita, enquanto outros nascem com deficiências físicas grosseiras? Somente a rencarnação nos dá a chave desses “mistérios”. Com as múltiplas experiências na carne, temos a chance de adquirir e aprimorar conhecimentos que ainda nos faltam no campo intelecto e moral. Além de reatar amizades com nossos inimigos e reparar erros do passado. Quando atingirmos uma evolução intelectual e moral não necessitaremos mais reencarnar.

Porque não nos lembramos das nossas vidas passadas?

O esquecimento temporário das vidas passadas é uma necessidade. Não devemos nos lembrar sómente enquanto estamos encarnados , e nisso está a sabedoria de Deus. Se lembrássemos do mal que fizemos ou dos inimigos que nos prejudicaram ou daqueles que prejudicamos, não teríamos condições de viver entre eles atualmente. Pois, muitas vezes, os inimigos do passado hoje são nossos filhos, irmãos, pais e amigos, que, presentemente, se encontram junto à nós para aprendermos a nos amarmos. Por isso a reencarnação é uma bênção de Deus para seus filhos.
As lembranças de erros passados certamente trariam desequilíbrios de toda ordem, uma vez que estamos muito mais perto do ponto de partida do que do ponto de chegada, em termos de caminhada evolutiva. Depois de desencarnado, normalmente nos lembramos de parte desse passado, conforme o grau evolutivo que nos situamos.

Como posso saber das minhas outras encarnações?

Convém, por enquanto, não saber. Allan Kardec nos mostra com coerência e bom senso, que não devemos buscar saber o que fomos noutras vidas. Os espíritos estão todos sujeitos à lei de evolução e, por isso, quando se remonta ao passado, depara-se com situações bem piores do que aquela em que atualmente se encontra. Ao recordamos experiências infelizes de outras vidas, certamente ficaríamos pertubados mentalmente.

Qual o tempo que separa as encarnações?

Não há tempo definido, pois depende da necessidade do espirito em melhorar-se, aumentando seus conhecimentos intelectuais e morais, passando por provas e expiações.
Quando mais endividado com a Lei de Deus, menos tempo permanece o espírito no mundo espiritual. O tempo que separa as encarnações depende da condição evolutiva do espírito e também do uso que ele vez do seu livre-arbítrio.

O que é livre-arbítrio?

Para a Doutrina Espírita não há destino, não há predestinação, não há sorte ou azar. O futuro é construido todos os dias. Através de pensamentos e ações, o espírito escolhe e dertemina seu caminho, exercitando uma característica indissociável do ser inteligente: o livre-arbítrio.
As escolhas que o espírito adota diante de situações apresentadas é de sua completa reponsabilidade. Dentro dos limites de seu entendimento, o espírito é responsável pelas conseqüências, efeito e novas situações geradas a partir de suas decisões.

O que acontece com o nosso espírito quando morremos?

Continuamos com nossa individualidade, isto é, teremos os mesmos conhecimentos, qualidades e defeitos que tivemos em vida. A morte não nos livra das imperfeições.
Seguiremos pensando da mesma forma. Nosso espírito será atraído vibratóriamente para regiões astrais com que se afiniza moralmente. Se formos excessivamente apegados à vida material, ficaremos presos ao mundo terreno, acreditando que ainda estamos fazendo parte dele. Essa situação perdurará por certo tempo, até que ocorra naturalmente um descondicionamento psíquico. A partir desse momento, o espírito será conduzido às cidades espirituais, onde receberá instrução para mais tarde retornar à carne.

Todos os espíritos podem se comunicar logo após a morte?

Sim, pelo menos teoricamente, todos os espíritos podem se comunicar após a morte do corpo físico. Porém, a Doutrina Espírita nos ensina que o espírito sofre uma espécie de pertubação ( que nada tem a ver com desequilíbrio ) que pode demorar de horas até anos, dependendo do tipo de vida que tenha tido na Terra e do gênero de sua morte. Os espíritos que são desprendidos da matéria desde a vida terrena, tomam consciência de que estão fazendo parte da vida espiritual bem cedo, porém aqueles que viveram preocupados apenas com seu lado material permanecem no estado de pertubação e ignorância por longo tempo.

Os espíritos podem nos visitar?

Freqüentemente o fazem. Nunca estamos sozinhos.

Podemos ser influênciados pelos espíritos?

Sim, podemos. A Doutrina Espírita nos instrui que somos guiados pelos espíritos muito mais do que podemos supor. Uns nos inspiram a seguir o caminho do Bem e das boas realizações. Outros, nos influenciam ao mal. Pela nossa vondade e livre arbítrio podemos resistir ou ceder a essas influências. Entendendo a dinâmica da relação entre os fluidos espirituais e nosso corpo espiritual, podemos compreender como se dá essa influenciação.

O que acontece com os recém-nascidos que logo morrem? E por que isso acontece?

O espírito da criança morta em tenra idade recomeça outra existência normalmente. O desencarne de recém-nascidos, frequentemente, trata-se de prova para os pais, pois o espírito não tem consciência do que ocorre. A maioria dessas mortes, entretanto, é por conta da imperfeição da matéria.

Porque pessoas jovens, boas, morrem prematuramente, enquanto há pessoas más que vivem por muitos anos?

Se olharmos as coisas dentro da visão materialista, certamente não encontraremos resposta para essa questão. Se, no entanto, partirmos do princípio que somos seres imortais e que estamos em uma escalada evolutiva em direção à perfeição, compreenderemos com facilidade que a vida terrena é apenas parte desse processo. A verdadeira vida é a espiritual e quando encarnados cumpre-se as etapas necessárias ao aprimoramento do espírito imortal. As diferenças existentes entre as pessoas são as várias etapas em que o espírito se encontra em termos de evolução. O viver muitos anos, portanto, é muito relativo. A vida terrena é a escola que a criatura precisa para se aprimorar e o tempo que deve demorar aqui depende de sua necessidade. Os espíritos bons, geralmente necessitam de menos tempo.

O que é um médium?

Todos nós somos portadores de uma mediunidade natural que é o canal psíquico pelo qual recebemos as influências boas ou ruins que estimulam as experiências do espírito na vida terrena. Porém nem todos nós somos médiuns conforme denominou Kardec em suas obras.
Segundo Allan kardec, médium é todo aquele que sente a presença ostensiva dos espíritos, é aquele que serve de ponte entre o mundo visível e o invisível. A pratica da mediunidade é o intercâmbio entre o mundo físico e o mundo espiritual. A faculdade mediúnica liga-se a uma disposição orgânica.

Devemos acreditar em tudo o que os espíritos dizem?

Os espíritos desencarnados são almas de homens que já viveram na Terra. Portanto podem ser portadores dos defeitos e qualidades que tinham quando encarnados.
Podemos acreditar na palavra dos homens bons, mas não podemos dar crédito aos conselhos daqueles de má indole por mais inteligente que sejam. Da mesma maneira devemos proceder com o mundo dos espíritos. Devemos analisar cada comunicação dada pelos espíritos, qualquer que seja o nome que assinem. Os bons trazem mensagens edificantes e com algum fim útil e querem sempre o bem da humanidade. Os atrasados ou maus podem nos enganar com palavras belas, podendo até tomar o nome de pessoas conhecidas para nos impressionar. Desses devemos nos precaver, conforme ensina Allan Kardec em “O Livro dos Médiuns”.

O Espiritismo coloca o homem sob influência de Demônios?

Só o preconceito pode justificar essa afirmativa. Como uma Doutrina baseada no Evangelho de Jesus pode ligar alguém a demônios?
O Espiritismo nos ensina que Deus, na sua bondade e sabedoria infinita, não criou seres voltados ao mal por toda a eternidade. Há espíritos ignorantes e imperfeitos que nos inflamam às más paixões e nos induzem ao mal, assim como os bons podem nos influenciar para o bem.
Os chamados demônios nada mais são que espíritos ainda distantes do bem, que diante de corações impuros e preconceituosos, se comprazem com eles e lhes induzem ao erro, promovendo-lhes más idéias e julgamentos.
Esses espíritos que ainda estão na ignorância e também os bons espíritos, não são um patrimônio do Espiritismo. Eles podem estar em todos os lugares, podendo ser atraídos por todos aqueles que se afinizam com seus propósitos.

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