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A Doutrina Espírita, ou Espiritismo, apareceu
no cenário terreno no século XIX, por volta do ano de 1850.
Suas raízes encontram-se nos princípios do Cristianismo,
doutrina implantada por Jesus e seus seguidores, há quase dois
mil anos.
A Doutrina Espírita é o cumprimento da promessa do Senhor,
na qual afirmou que enviaria ao mundo, no devido tempo, um Consolador,
O Espírito de Verdade, que relembraria seus ensinamentos e faria
novas revelações a respeito dos mistérios da vida.
Em um de seus muitos discursos, Jesus disse que não poderia dizer
todas as coisas, pois os homens ainda não tinham condições
de entendimento para compreendê-las.
No tempo certo, enviou o Espiritismo, que retirou o véu dos "mistérios"
de Seus ensinamentos e ampliou sobremaneira o campo do conhecimento humano,
despertando o Ser para um novo mundo.
Nos séculos XVI e XVII, depois que a Reforma Protestante havia
libertado a humanidade dos domínios da Igreja, formou-se um clima
muito propício à fermentação de ideais renovadores.
Foi neste período que iniciaram-se as primeiras manifestações
de Espíritos, chamando a atenção do homem de então
e preparando o terreno para o advento do Consolador.
No século XIX, nascia o Espiritismo, considerada a terceira revelação.
Com ele vieram as novas lições acerca do sentido da vida,
da dor, da justiça e sobre o destino dos homens depois da morte.
Emmanuel Swedenborg.
Embora oficialmente os espíritas tomem o ano
de 1848, com o fenômeno de Hydesville, como o marco do aparecimento
do Espiritismo no mundo, precisamos saber que, antes disso, existiram
algumas pessoas que, pela sua capacidade de produzir fenômenos ligados
às coisas espirituais, devem ser citadas como de importância
para o surgimento desta Doutrina entre os homens.
A história do extraordinário vidente sueco Emmanuel Swedenborg
merece atenção e estudo de nossa parte. Swedenborg, educado
entre a nobreza sueca, era católico e profundo estudioso da Bíblia.
Era grande autoridade em Física e Astronomia, autor de importantes
trabalhos sobre as marés e determinação das latitudes.
Zoologista, anatomista, financista e político, era ainda engenheiro
de minas, com grande conhecimento em metalurgia.
O desabrochar de seu potencial mediúnico deu-se em abril de 1744,
em Londres, onde desenvolveu seu trabalho por vinte e sete anos e esteve
em constante contato com "o outro mundo".
Deixou em suas obras, relatos extraordinários de suas experiências
com o mundo espiritual. Diz ele sobre sua primeira visão:
"Na mesma noite, o mundo dos Espíritos,
do céu e do inferno, abriu-se convincentemente para mim, e aí
encontrei muitas pessoas de meu conhecimento e de todas as condições.
Desde então, diariamente o Senhor abria os olhos de meu Espírito
para ver, perfeitamente desperto, o que se passava no outro mundo e para
conversar, em plena consciência, com anjos e Espíritos".
Afirmava Swedenborg que uma densa nuvem havia se formado
em redor da Terra, devido ao psiquismo grosseiro da humanidade, numa clara
antecipação aos ensinos sobre a atmosfera fluídica
que a Doutrina Espírita nos trouxe.
Dizia também que, de tempos em tempos, haveria uma limpeza, assim
como a trovoada aclara a atmosfera material.
Deixou ensinos importantes nas seguintes obras: "O Céu e Inferno",
"A Nova Jerusalém" e "Arcana Celestia".
Andrew Jackson Davis.
Nascido em 1826, em New York, era um jovem sem cultura,
nascido em meio pobre, mãe com tendências visionárias
aliadas à superstição e o pai trabalhava com couros.
Nos últimos anos de infância, começaram a se desenvolver
os poderes psíquicos de Davis.
Com o auxílio de um magnetizador, Davis fazia verdadeiras "viagens"
pelo mundo dos Espíritos, trazendo informações as
mais surpreendentes.
Tinha extraordinária clarividência que, a princípio,
foi usado como divertimento e mais tarde o seu magnetizador utilizou para
diagnóstico de doenças.
Aos 19 anos de idade, Davis manifestou o desejo de escrever um livro e
o fazia através de transes mediúnicos, submetidos por um
magnetizador.
Um secretário anotava fielmente as palavras que jorravam da boca
do médium, como se fora o mais douto em conhecimento e sabedoria,
porém tratava-se de um jovem ignorante e sem cultura.
Esse foi o começo do trabalho mediúnico desse jovem, que
continuou por muitos livros, todos reunidos com o nome de "Filosofia
Harmônica".
Nessa fase, ele dizia estar sob a influência direta de uma entidade,
que posteriormente identificou como sendo Swedenborg.
O desenvolvimento de sua faculdade continuou e aos vinte e um anos já
não necessitava mais de quem o induzisse ao transe.
Começou aí nova fase, onde passou a ter as mais impressionantes
experiências de clarividência.
Descreveu com clareza o fenômeno da morte, visto por ele à
beira do leito de uma senhora agonizante. Teve muitas visões do
mundo espiritual, fez muitas previsões como o aparecimento do automóvel
, da máquina de escrever e do próprio Espiritismo.
Davis representou um importante papel no começo da revelação
espírita, preparando o terreno antes que se iniciasse o trabalho
dos Espíritos superiores. Quando explodiu o acontecimento de Hydesville,
ele já o conhecia desde o início, através de revelações
mediúnicas. Morreu em 1910, aos oitenta e quatro anos de idade.
Fenômeno de Hydesville.
No ano de 1848, na América do Norte, surgiram
alguns acontecimentos inusitados que assombraram o mundo.
Na casa de uma família americana chamada Fox, que morava num vilarejo
de nome Hydesville, no Estado de New York, começaram a manifestar-se
forças sobrenaturais que pareciam vir do invisível.
Aconteciam estranhos ruídos nas paredes, com indícios de
serem provenientes de uma inteligência oculta desejando se comunicar.
Tudo indicava que as irmãs Kate e Margaret Fox, duas meninas de
11 e 14 anos, eram o centro do fenômeno paranormal, que acabou transformando
a casa em ponto de atração para curiosos.
As pessoas se divertiam vendo as jovens ordenarem a uma suposta inteligência
invisível, que fizesse barulhos e produzisse pancadas nas tábuas
da parede.
Através dos ruídos na madeira, convencionou-se um código
pelo qual algumas pessoas comunicavam-se regularmente com o Além.
Uma pancada significava "sim"; duas, significavam "não",
enquanto outros sinais simbolizavam letras ou palavras.
A inteligência invisível, que produzia os fenômenos
de Hydesville, dizia ser um Espírito que tinha animado um personagem
que vivera na Terra em outros tempos O Espírito foi apelidado pelas
meninas de "sr. Perneta".
Suas comunicações revelaram que ele animara o corpo de um
homem que havia sido morto a facadas naquela casa, tempos atrás.
Seus restos mortais foram enterrados no porão da residência.
Algumas pessoas escavaram o local e encontraram cabelos e ossos humanos.
Pesquisas feitas mais tarde, revelaram que o sr. Perneta era um homem
chamado Charles Rosma, que fora morto na casa cinco anos antes.
O fenômeno atraiu a atenção do mundo e por muito tempo
as irmãs Fox fizeram demonstrações de sua capacidade
de comunicar-se com os "mortos", apresentando-se em salões,
submetendo-se à cobiça de empresários e sendo alvo
de muitas polêmicas.
Por desconhecerem completamente os mecanismos do maravilhoso dom da mediunidade,
envolveram-se com influências perniciosas que a levaram a ter um
fim triste e obscuro.
Daniel Dunglas Home.
Quase concomitante às irmãs Fox, um outro
fenômeno mediúnico despertou a atenção das
massas.
Tratava-se dos feitos do médium Daniel Dunglas Home, que ficou
conhecido mundialmente pelos fenômenos paranormais que provocava
à sua volta.
Forças invisíveis se manifestavam, chegando em algumas ocasiões
a levantá-lo do chão.
Home chamou a atenção de sábios e estudiosos em todo
o mundo.
Home nasceu em uma pequena aldeia na Escócia e viveu de 1833 a
1886. Desde cedo demonstrou sua prodigiosa faculdade e jamais envolveu-se
com dinheiro em suas fantásticas demonstrações de
vidência, efeitos físicos, levitação, desdobramento
etc.
Embora contemporâneo do Codificador do Espiritismo, eles nunca se
conheceram. Entretanto Allan Kardec faz comentários sobre ele em
sua obra, analisando os fenômenos, que para ele, eram autênticas
provas da existência de imortalidade da alma.
Daniel Dunglas Home foi considerado o mais surpreendente médium
de todos os tempos.
Embora não fosse espírita, atribuía a responsabilidade
dos fenômenos aos Espíritos, o que contribuiu para popularização
do Espiritismo nos nobres salões da América e da Europa.
As mesas girantes.
Em 1850, na França, surgiu um tipo de brincadeira
chamada "mesa falante" ou "mesa girante", que tomou
conta dos salões festivos da época.
A mesa girante era uma mesinha redonda, de três pés, em torno
da qual se ajuntavam as pessoas para provocar manifestações
de forças sobrenaturais.
As mãos dos presentes eram colocadas sobre a superfície
da mesa que, através de um fenômeno de efeitos físicos,
dava saltos sobre seus pés, girando e dando pancadas.
Por meio de um código alfabético semelhante ao usado pelas
irmãs Fox, na cidade de Hydesville, era possível conversar
com o "invisível".
A sociedade francesa divertia-se em perguntar amenidades à mesa.
Houve uma espécie de febre em torno dessa brincadeira.
Uma senhora, chamada Emília de Girardim, desenvolveu uma sofisticada
mesa que girava livre e facilmente em torno de um eixo à maneira
de roleta. Na superfície e em circunferência eram colocadas
as letras do alfabeto, os números e as palavras sim e não.
No centro, um ponteiro metálico ou agulha fixa. O médium
punha os dedos na borda da mesa que girava e parava sob a agulha, na letra
desejada pelas forças invisíveis para fazerem seus ditados.
Com isso, tornou-se possível conseguir, regularmente, mensagens
vindas do Além.
As mesas girantes eram a grande sensação dos salões
da Europa e América. Por meio delas as pessoas passaram a ter contato
com o mundo invisível, realizando sessões de comunicação
espiritual, onde reinava a frivolidade e a brincadeira.
Os fenômenos de ruídos provocados por Espíritos em
paredes, mesas ou outros objetos, e que serviram de meios de comunicação
com o invisível, foram mais tarde classificados pelo nome de Tiptologia.
Foi desta forma que iniciaram as primeiras comunicações,
que depois foram aperfeiçoadas, passando por várias fases.
A Codificação Espírita.
O desenvolvimento da Codificação Espírita
basicamente teve início na residência da família Baudin,
no ano de 1855.
Na casa havia duas moças que eram médiuns. Tratava-se de
Julie e Caroline Baudin, de 14 e 16 anos, respectivamente.
Através delas, Kardec fazia perguntas aos Espíritos desencarnados,
que as respondiam por meio da escrita mediúnica.
À medida que as perguntas do professor iam sendo respondidas, ele
percebia que ali se desenhava o corpo de uma doutrina e se preparou para
publicar o que mais tarde se transformou na primeira obra da Codificação
Espírita.
Todo o trabalho da revelação era revisado várias
vezes, de modo a se evitar erros ou interpretações dúbias.
Na fase de revisão, o professor contou com a preciosa ajuda de
outra médium, que era sonâmbula, a srta. Japhet. Depois dela,
o Codificador ainda submeteu as questões a outros médiuns.
Assim, o trabalho contou com ajuda de pelo menos dez médiuns, nesta
primeira fase.
A forma pela qual os Espíritos se comunicavam no princípio
era através da cesta-pião que tinha um lápis em seu
centro.
As mãos das médiuns eram colocadas nas bordas, de forma
que os movimentos involuntários, provocados pelos Espíritos,
produzissem a escrita.
Com o tempo, a cesta foi substituída pelas mãos dos médiuns,
dando origem à conhecida psicografia.
Das consultas feitas aos Espíritos, nasceu "O Livro dos Espíritos",
lançado em 18 de abril de 1857, descortinando para o mundo todo
um horizonte de possibilidades no campo do conhecimento.
A partir daí, Allan Kardec dedicou-se intensivamente ao trabalho
de expansão e divulgação da Boa Nova.
Viajou 693 léguas, visitou vinte cidades e assistiu mais de 50
reuniões doutrinárias de Espiritismo.
Em janeiro de 1858, o Codificador abraçou uma nova atividade. Inaugurou
a Revista Espírita, um mensário cujo objetivo era o de informar
os adeptos do Espiritismo sobre o crescimento do movimento e debater questões
ligadas à prática doutrinária. Assim, teve início
a imprensa espírita. A Revista foi editada por 12 anos.
Em abril de 1858, fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas,
entidade que se destinava a estudar, entender e explicar a fenomenologia
espírita.
Foi a primeira sociedade espírita a constituir-se regular e legalmente,
tendo exercido grande influência moral entre os outros grupos, por
ter sido a sociedade iniciadora e central.
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